Quarta-feira, Abril 26, 2006

Memórias e narrativas

Esses últimos dias eu estava pensando na vida...não no sentido de não estar pensando em nada...eu estava pensando nas formas de se contar uma vida...deve ser porque estou discutindo narrativa na história na faculdade...rs
Mas eu realmente comecei a pensar nisso...
eu sei que eu ainda sou muito jovem...mas fiquei pensando: quem vai contar a minha vida quando eu me for? uma vida pode ser contada? qual o propósito de se contar uma vida?
Nós lidamos o tempo todo com as coletividades, com o social...que não percebemos que atrás da superfície dos rios, existem águas muito mais profundas que não se mostram, pelo menos não a quem não está disposto a se molhar...e tudo por causa da pretensão à cientificidade.
Tá certo que quem não quer se adequar, que vá escrever romances...mas a vontade de ser científico, de entender as ‘estruturas’ relega p/ um segundo plano as particularidades, e passamos a entender as coisas a partir de generalizações...uma batalha passa a ser somente uma batalha...e joãos, joaquins, robertos passam a ser contigentes...
Nesse sentido o filme “Nós que aqui estamos, por vós esperamos” é exemplar... já que ele passeia pela “História” do século XX, mas através da ótica dos indivíduos...
Porque afinal de contas, o que nós fazemos é fuçar sepulturas...e tolos, ao pensarmos que estamos procurando o passado..estamos é conhecendo o futuro.

Quinta-feira, Abril 20, 2006

Cinebiografias...

Ontem eu assisti um filme que a muito estava disposto a ver: “Johnny e June”, sobre a vida do cantor Johnny Cash...
E ao assisti-lo, logo de cara relacionei a uma outra cinebiografia que fez muito sucesso nos cinemas ano passado: “Ray”, sobre o cantor Ray Charles...
No entanto, apesar de relacioná-las pelo motivo óbvio de serem o mesmo estilo de filme (cinebiografias), faço a comparação p/ mostrar como um mesmo estilo de filme pode tomar, dependendo da condução do roteiro e, sobretudo, do diretor, caminhos significativamente diferentes...
“Johnny e June” e “Ray” apesar do sucesso, não trazem nenhuma inovação ao gênero...os velhos clichês como: a infância traumática, o início de carreira difícil, o sucesso, as drogas, a superação das drogas entre outros, continuam lá, intactos...
Porém, é nas sutilezas, a meu ver que “Johnny e June” consegue algo que “Ray” não consegue: ser um filme p/ além do público-alvo desses filmes: os fãs...
A idéia de centralizar a trama, não na carreira de Cash, mas no romance dele com a cantora June Carter, foi uma jogada de mestre...
Sem contar o bom senso de nos poupar da tamanha pieguice de assistirmos longas cenas do artista-criança sofrendo, ou das crises de abstinência relativas às drogas às quais, por exemplo, “Ray” não apresenta o mesmo bom senso...
Com relação às atuações, ambos os filmes se igualam: atuações inspiradas...o que, convenhamos, é o mínimo que se pode esperar desse gênero de filme...já que todo filme se sustenta na capacidade do ator de literalmente “incorporar” o artista-personagem que interpreta...
No entanto, como já disse...
é nas sutilezas que um supera o outro...
Assistam os filmes e tirem suas próprias conclusões

Sábado, Abril 15, 2006

Fase da vida

É assustador quando alguém consegue essa façanha de dizer muita coisa falando quase nada, não acham?
Pois é...
O Mário Quintana consegue...
O cara cria poemas de uma linha...com uma profundidade absurda...
Folheando um velho livro do gênio achei essa:


Trecho de diário

Sempre fui metafísico. Só penso na morte, em Deus e em como passar uma velhice confortável.

Pois é...
Eu tô nessa fase da vida...
Precisa dizer mais?

Segunda-feira, Abril 10, 2006

A semana que passou...

Essa semana que passou eu assisti um show de uma banda cover dos Beatles: a “Black Bird”
Muito bom o show...mas não quero falar da inegável qualidade do material com o qual eles(da banda) trabalham...quero falar da possibilidade de se fazer uma enormidade de shows diferentes utilizando as canções ‘clássicas’ do ‘fab four’
É realmente incrível o número de canções famosas dos caras...tocando todo dia vc faz uma semana de shows tranqüilamente sem repetir uma só canção...poucas bandas conseguem isso...
ah! e ouvir “while my guitar gently weeps” e “carry that weight” ao vivo...
não tem preço!

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Comecei nessa mesma semana, de fato tb, minha atividade de licenciando...
É o início da minha aventura no magistério...
Senti-me como Indiana Jones em intrépidas aventuras pelo mundo...
Sim, entrar numa turma do ensino médio é como entrar numa floresta cheia de criaturas fantásticas...ou uma tribo de aborígines...
Sem brincadeira
Tem que ter disposição...rs
Mas, como Mr. Jones consegui sair ileso...rs
E entre mortos e feridos salvaram-se todos...rs
Por enquanto...rs

Sábado, Abril 01, 2006

ironias...

Será que ninguém percebe as ironias?
Essa semana eu assisti ao primeiro brasileiro indo pro espaço (literalmente, diga-se de passagem) ao mesmo tempo em que, na minha TV, se digladiavam os poderosos americano e madureira...
É realmente irônico não acham?
O madureira ganhando do americano e o brasileiro indo pro espaço é irônico sim, nem vem...rs
Inda mais depois que eu soube que um dos “experimentos” do cosmonauta brasileiro seria plantar feijões no espaço(?!?!?!)...
Seria essa, uma indireta p/ os sem-terra???

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É realmente engraçada a forma como os brasileiros lidam com as representações de seu país...
O Brasil manda seu primeiro astronauta para o espaço:
Enquanto isso, daqui da Terra minha mãe reza por ele e eu continuo achando graça do quão patética é toda essa situação...
Vejam bem...
O governo gasta 10 milhões prum brasileiro plantar feijões no espaço, uma deputada dança “la conga” no Congresso, o madureira ganha do americano...
Ah, quer saber?
Certa tá a minha mãe...
É melhor rezar...
Porque esse país não é sério...
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